Carregar de tudo e de esperança 29/03/2019

As 30 toneladas de carga, que há uns dias receávamos não completar, ficaram a acenar ao resto da carga, que ficou em terra! Reunimos comida, muita comida, águas, desinfetante, agasalhos, panelas, talheres, copos, enxadas e catanas, lonas e cordas, na expectativa de responder às necessidades que as irmãs que nos acolherão em sua casa, daqui a poucos dias, identificaram a custo, tendo que escolher que necessidades se sobrepõem a quais, num contexto em que da vida das pessoas, desapareceu rigorosamente tudo.

A irmã Miriam, cuja voz conhecemos desde que as operadoras de comunicação passaram a permitir, falou ontem à rádio. Na sua entrevista dizia que só elas (as irmãs), sabiam de 450 pessoas desaparecidas, provavelmente mortas! A primeira vez que falámos com a madre superiora da congregação, alertou-nos: “imaginem um cenário de guerra: é o que irão encontrar”. Preparámos a equipa, consciente e receosa. Munida de materiais que, após 11 anos em Moçambique, nunca vimos ninguém da equipa usar: empregnantes para a roupa, vacinas contra a cólera, desinfectante para a água… Respiramos fundo e pensamos nas pessoas e no que os conhecimentos da equipa podem evitar, podem resolver, podem salvar. Respiramos fundo porque sabemos que o caminho não é fácil, mas é este.

A estrada para o Dombe foi reaberta. O camião não passará, a logística da resposta ao ciclone Idai não disponibiliza transportes, mas quem está no terreno resolve, e entre contactos trocados com empresas e ideias trocadas com o bispo do Chimoio, D. João Carlos, a solução está encontrada e o problema enterrado. Menos um.

Movidos os esforços para confortar as pessoas no imediato, resta a ansiedade de poder reconstruir o que quer que seja: as pessoas pediram enxadas, pediram catanas; as pessoas não querem sair das escolas para se deslocarem com as tendas que lhes são confiadas para os locais mais altos, como lhes é recomendado. As pessoas não querem assumir que já não têm casa, que não há para onde voltar! Depois da tempestade não vem logo a bonança, como se diz. Depois de uma tempestade como esta, vêm as incontáveis ondas de choque.#Idai

 

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