A “máquina da emergência” 2/04/2019

O dia começou cedo e bem, mas com notícias inesperadas: a equipa técnica reuniu com a responsável pela nutrição ao nível da província, Dra. Carla Saveca, que disponibilizou alguns documentos técnicos e falou do ponto da situação no posto administrativo do Dombe: há 19 centros de acomodação localizados. Desses, 9 ainda permanecem inacessíveis. Sem ajuda regular, sem equipas de saúde, sem ligação fluida ao resto do mundo. Em visita a um dos outros 10 centros de acomodação (onde são recolhidos indicadores de saúde mas não ao nível da nutrição), ela mesma fez uma avaliação rápida a 7 crianças. Dessas 7, 4 estavam com desnutrição aguda. A ajuda é necessária e receberam-nos de braços abertos. Destinaram-nos de imediato medicamentos e micronutrientes para levarmos para o hospital do Dombe. Estamos prontos, vamos colocar mãos à obra.

Do lado da logística, a máquina é imensa e os medos proliferam por todos os lados. Uma falha de comunicação com o INGC ocupou-nos a manhã inteira em reuniões, mensagens e telefonemas. O INGC tinha a expectativa de que a carga transportada pela Helpo ficasse a cargo da gestão do próprio, no Chimoio. A Helpo tinha-se comprometido a canalizar as doações que lhe foram feitas, para o Dombe, em particular para a missão do Instituto das pequenas missionárias de Maria Imaculada. A Helpo com receio de não poder chegar a cumprir a expectativa dos milhares de pessoas em espera da ajuda; o INGC com receio de que a ajuda não seja canalizada para aqueles que dela precisam. Os dois com o mesmo objetivo, acabaram por encontrar uma solução: o INGC será informado de todos os transportes e distribuição de doações (a começar pelo primeiro camião, já a caminho do Dombe), e deslocará um técnico para acompanhar cada uma dessas ocasiões. Tempo morto por um lado, problema resolvido por outro.

A máquina é imensa, a preocupação com as pessoas também. E a verdade é que o cuidado demonstrado pelo INGC é positivo e ainda que estes problemas traduzam pedras na engrenagem, permitem assegurar que a ajuda chega onde é necessária. Ser-se apanhado nesta dinâmica gigantesca é um dano colateral da tão necessária e afamada articulação.

A equipa fez-se ao último troço de 130 kms de estrada. O que nos espera é conhecido no papel, nos números e nas descrições ouvidas nas reuniões, mas impossível de prever como se traduz numa realidade que, a partir de agora, é também a nossa.#Idai

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