O mapa da realidade

Fazer o reconhecimento do distrito, fazer a ligação entre o que se imaginava e o que realmente está ali, diante dos nossos olhos, e saber de entre os locais mapeados, quais aqueles que permanecem apartados da normalidade, é um passo absolutamente necessário para compreender a complexidade com que as pessoas se vêem confrontadas por estes dias.

Voltamos aos números, agora pelos olhos do médico, Dr. Sérgio, do técnico de nutrição, António e do enfermeiro, Sebastião. 18 centros de acomodação (alguns vão desaparecendo, à medida que a água vai permitindo o regresso ao que antes se chamava “casa”), alguns com pouco mais de cem pessoas, alguns com perto de 2.000! Alguns altamente organizados, com equipas de saúde, técnicos de nutrição e equipas de medicina preventiva. Alguns sem as condições mínimas de dignidade, higiene, e disponibilidade de comida. Onde a rotina é desanimada e perigosa.

As listas com o que há para comprar já passaram para o lado da logística para engrossarem os custos, com aquilo que mais sentido faz: medicamentos, um barco que permita o acesso das equipas de saúde às 10 localidades que permanecem isoladas, (sem o prenúncio de mais tragédias escondido na casca de árvore que vai fazendo uma ou outra travessia), fórmulas de tratamento para os casos de desnutrição mais graves.

Ainda há 3 zonas que permanecem isoladas; as suas posições definem-se sempre com relação às margens do rio. O som dos helicópteros é um alívio para quem imagina os rostos famintos à espera da comida e dos cuidados de saúde de quem sobrevoa os céus. Contaram-se mais de 50 viagens, dizem-me. As ajudas existem, e vão chegando às pessoas, apenas não ao ritmo das suas necessidades e expectativas, ao ritmo necessário para lhes dar a ideia de conforto e a ilusão de que não se perdeu tudo.

Umas das 918 pessoas que está alojada por trás da escola secundária do Dombe é um homem com a cara do desolamento: voltara há pouco do Zimbabué com as filhas e a esposa, montara uma moageira. Perdeu a moageira, perdeu a esposa, perdeu as filhas. As águas levaram tudo, e até levaram a vontade de permanência no seu país!

Agora é a hora que o sol impõe para o rescaldo de hoje e planificação da ação para o dia de amanhã!#Idai

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