Poucas camas, pouco espaço, muita gente 10/04/2019

O trabalho no terreno começa a correr todos os dias mais ao ritmo das necessidades do que das contingências. À medida que vamos conhecendo os interlocutores, os voluntários nas comunidades, os régulos, os técnicos de saúde, todos os obstáculos se nos apresentam com mais soluções e a lentidão natural das coisas difíceis parece ir perdendo espaço, lentamente.

A equipa de nutricionistas divide-se. Já não é a primeira vez que uma assiste às consultas no posto de saúde da missão, enquanto as restantes integram a equipa da saúde da região para fazer face a tantas tarefas e acrescentar a valência dos rastreios nutricionais, identificação de casos graves e encaminhamento para o hospital daqueles que já não podem ser socorridos de outra forma. No posto de saúde da missão, são examinadas as crianças sinalizadas nos centros de acomodação. Hoje, a Hélia sinalizou dois casos que encaminhou sou para o hospital e deu início ao tratamento em ambulatório, a três crianças.

O carro que a equipa “alargada” da Helpo deixou para trás e a embarcação “Esperança” são instrumentos fundamentais colocados à disposição da “equipa móvel” de saúde. Nos últimos dias, fomos contactados por outras organizações e agências pedindo a utilização da Esperança para distribuição de comida e acesso a populações isoladas. A nossa resposta é um sim redondo: o propósito deste pequeno-grande investimento é ter um impacto positivo no maior número de pessoas possível. Hoje, na Esperança, levámos connosco para Zichau, além da equipa de saúde, o técnico wash da solidar suiss, a quem pedimos ajuda depois de nos ter sido comunicado que a população estava a consumir água do rio!

Os recursos são poucos para tanta falta…falta de técnicos, falta de medicamentos, falta de  espaço, falta de condições, falta de meios de deslocação, falta de camas no hospital… Quando chegámos ao Dombe, no espaço para internamento na pediatria havia uma criança internada e 6 camas no total. Desde o início do nosso trabalho, já foram internados mais 7 (uma média superior a um internamento por cada dia de trabalho, e é de notar que o internamento só ocorre em casos graves). Para colmatar tanta falta, ontem a equipa deu formação aos ativistas da ADPP, de forma a poderem dar apoio às rastreios nutricionais em tantas centenas de crianças espalhadas por zonas acessíveis e inacessíveis. Hoje, já contámos com o seu apoio no terreno.

Ao final do dia, o balanço dava conta da distribuição de 300 redes mosquiteiras, 90 frascos de certeza, 213 rastreios de nutrição e 115 crianças suplementadas com vitamina A e desparasitadas. Do lado triste da balança, pesa um abandono do hospital por parte de uma mãe com a criança (apesar de estarmos a distribuir comida às mães internadas como forma de incentivo para que permaneçam no hospital, a opinião do marido, as crenças enraizadas ou incontáveis urgências familiares que não são para nós inteligíveis, muitas vezes falam mais alto)!

Com o dia a terminar, voltámos ao hospital porque aí acorreram duas mães que tinham sido sinalizadas durante os rastreios e suscitaram dúvidas ao enfermeiro de serviço. Amanhã haverá mais e estamos prontos para ajudar. #Idai

 

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