Dia de números, de balanço, de boas notícias e de preparar mais dias 17/04/2019

Hoje fomos buscar conquistas e otimismo às crianças do internamento.
Começámos, como já é hábito, logo cedo, a passar visita na enfermaria. Falar com as mães, fazer pesagens, ver a evolução e ajustar a quantidade dos leites terapêuticos. Duas das crianças, passaram no teste do apetite. É assim que se chama, quando se faz a passagem do leite terapêutico F100, para a alimentação. Tudo indica que em breve vão poder regressar às suas casas.
A saída da brigada móvel para a comunidade, foi cancelada. Um imprevisto com o técnico de nutrição fez com que ele não chegasse a tempo de Chimoio.
Mas nem por isso, o ritmo abrandou. No armazém, a montagem dos kits de alimentos para distribuir à população não se esgota. A próxima entrega planeada para Nhanhemba precisa de chegar a mais de 500 famílias. Tratámos do empréstimo de uma carrinha maior para conseguir chegar lá numa só viagem e juntámo-nos à equipa de ajudantes do Francisco (o responsável do armazém) para rechear o salão que contém os kits já prontos.
À tarde estava planeado ir a Zichau, mas outro imprevisto com o régulo também nos cancelou a distribuição. Sendo o régulo o chefe da comunidade, nada pode ser feito sem a sua presença.
A responsável de nutrição da província de Manica e uma equipa do Unicef vieram visitar o Dombe e fazer um ponto de situação no local. Juntámo-nos à volta da mesa a estudar as comunidades que ainda não estão acessíveis e a delinear as próximas intervenções. Foi bom ouvir o elogio do trabalho que a Helpo tem feito. A prioridade do ministério da saúde, na área da nutrição, é fazer rastreios em massa e tratar os casos sinalizados. Em apenas duas semanas a Helpo já fez 604 rastreios e está a seguir 25 desnutridos.
No meio de tudo isto ainda fomos ambulância temporária, e transportámos um menino que apareceu no centro de saúde da missão com uma queimadura na cara e pescoço, que precisava ser rapidamente atendido no Dombe. Valeu estar no sítio certo à hora certa. E faremos por continuar a estar!
* Testemunho de Margarida Lopes, nutricionista chefe da m missão humanitária da Helpo no Dombe
Entretanto, por cá, foi o dia seguinte ao fecho do fecho da campanha de recolha de bens; isto é, depois de termos encerrado a campanha a dia 12/04/2019, encerraríamos a receção de materiais agendados com parceiros registados a 16/04/2019. No entanto, parece difícil fechar uma porta que esteve, durante algum tempo, tão escancarada!
Com esta campanha aprendemos que tudo é difícil: é difícil fazer respeitar os prazos; é difícil fazer cumprir as entregas apenas do que foi pedido; é difícil (muito difícil), dizer que “já não”; porque já temos 3 (se não 4), contentores de 40 pés cheios de material para enviar e não faz sentido continuar a tentar encaminhar material para a zona atingida através da Helpo porque não teremos encaixe financeiro para proceder a mais envios…
E é difícil fazer a triagem de tudo o que nos chega; contactar outras organizações e agendar com as mesmas a recolha do que não nos será útil e nunca pedimos que nos doassem; manter a energia como se estivéssemos no primeiro dia; ler as declarações que mais parecem ataques que as organizações empreendem implicitamente, umas sobre as outras, apenas para justificar o seu modos operandi como o mais válido de todos.
Como disse, aprendemos que tudo é difícil.
Mas, depois, no meio deste imbróglio de dificuldades, chegam-nos as histórias de sobrevivência do terreno, os dias sem segundos livres dos técnicos no Dombe; os testemunhos do que falta e do que se inventa para se fazer face àquilo que falta; enfim, as razões de todo o movimento que reiniciamos diariamente às 9h sem hora para terminar…e como que num passe de mágica, tudo o que aprendemos nos últimos tempos que é difícil, se faz minúsculo e insignificante!
Contamos, por estes dias, com uma média de 17 voluntários por dia que têm um valor inestimável! Reforçam-nos o ânimo, emprestam-nos energia e fazem tão parte desta equipa como cada um de nós. Nesta máquina, tudo funciona numa interdependência perfeita. Todos temos o nosso lugar graças a alguma coisa que outros fazem e têm feito! E não há grande coisa a fazer além de agradecer: a quem fez donativos em dinheiro, em géneros, em tempo; a quem generosamente colocou a vida em pausa para ir para o Dombe; a quem triplicou as horas nos dias da agenda para encaixar esta missão sob a sua coordenação…e sinto que ficaremos a agradecer a muita gente, por muito tempo!
#Idai
* Testemunho de Joana Clemenete, coordenadora geral e executiva da Helpo

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