Mais um contentor, mais milhares de famílias ouvidas e atendidas 23/04/2019

Hoje foi um dia que lembra a repetição de muitos dos dias vividos no último mês. Foi dia de acordar com a dúvida latente sobre se a noite chegou a passar, de levantar cedo e de estar num dos armazéns que de tão ocupado já parece nosso, para carregar um novo contentor de 40 pés, com destino ao Dombe.

O carregamento do contentor obedece à aferição de necessidades transmitida pelo terreno: x paletes de roupa; x paletes de mantas; x paletes lençóis; de sal e de açúcar; de comidas prontas; de óleo e por aí fora…até que, depois das 46 paletes diligentemente encolhidas entre o metal do contentor, ele se recusa a receber mais um sopro que seja, e as portas fecham-se, para se voltarem a abrir apenas no Dombe, dentro de aproximadamente 6 semanas de viagem…

Depois disto, mais espaço para voltar a encher com os materiais que ainda não foram triados, acondicionados e montados em paletes. Mais alguma necessidade de descanso que talvez não venha a ser suprida, mais alguns músculos que nem sabíamos que tínhamos a avisar que é preciso parar um pouco e respirar.

É agora, quando é preciso parar um pouco e respirar, quando a noite cai e os pensamentos não libertam a mente, que começamos a receber as fotografias do dia de trabalho da equipa que está no Dombe. E esta é a peça do puzzle que vem dar sentido ao dia, aos dias, ao cansaço absurdo que parece só saber somar e a tudo o que vai ficando em suspenso, enquanto há gente que espera ajuda e que precisa dela…agora!

Olho para o lado, e vejo uma lista de sacrifícios cujos protagonistas se recusam a dar-lhes esse nome: as viagens canceladas e antecipadas, aquelas que não chegaram a acontecer; os dias de semana que se transformaram apenas numa corrente contínua de dias de trabalho; os colegas cheios de planos adiados e eventos que já não vai haver; as noites que eles não dormiram porque, como os próprios confessam, “se não for ao hospital dar o leite terapêutico, sei que ninguém vai”; os milhares de quilómetros percorridos magicamente em horas que deveriam ser o dobro…procuro explicar ao meu filho de 4 anos o que estão os meus “amigos do trabalho” a fazer, e digo-lhe que estão a ajudar muitas pessoas ao mesmo tempo, em circunstâncias extremamente difíceis. E ele pergunta: como um super-herói? Engulo em seco. Não gosto de rótulos mas se há um que lhes assenta bem agora, seria este! A eles, e a todos aqueles que ainda resistem e que darão sentido ao envio de mais um contentor! #Idai

*Testemunho de Joana Clemente, coordenadora geral e executiva da Helpo

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