Diário de Uma Visita I, 1 de junho

Quando a Helpo foi convidada a fazer parte do movimento “Mão dada a Moçambique”, não pensava que iria fazer parte de algo histórico. Ao ser “obrigada” a preparar uma missão de resposta à emergência do Ciclone Idai, a Helpo foi obrigada a reinventar-se e a traçar caminhos desconhecidos. Todos nós estávamos confiantes, mas sempre com a noção que caminhar em direção ao desconhecido pode trazer momentos menos agradáveis. No entanto, quando se caminha com amigos, as coisas ficam mais fáceis. Além das centenas de pessoas que nos deram força, doando dinheiro, doando bens, participando como voluntárias, também tivemos a honra de ser convidados pela Selma Uamusse, a fazer parte deste movimento, ela que é amiga da Helpo já há alguns anos, colaborando sempre que solicitada, ela que é uma verdadeira Embaixadora Cultural de Moçambique em Portugal e na Europa!

No dia seguinte àquele que recordo como o maior sucesso de movimento solidário em Portugal direcionado ao estrangeiro, que culminou com um espetáculo com mais de 50 artistas no Capitólio, a Helpo convidou a Selma Uamusse a visitar Moçambique. Era um convite que estava pendente há anos, e este era o momento para que viesse visitar o trabalho em que ela confiava à distância, e ver os trabalhos de resposta à emergência.

Queria o destino que a data de chegada fosse o Dia 1 de Junho, Dia Internacional da Criança, o expoente máximo de celebração infantil em Moçambique. Como nesse dia o tempo de ligação entre o voo carinhosamente oferecido pela TAP e a partida para Pemba era de apenas 70 minutos, foi necessário muito trabalho de bastidores envolvendo, o pessoal da TAP, o pessoal da Migração, o pessoal da LAM, a família da Selma em Maputo, para que tudo corresse bem e efetivamente correu.

Setenta crianças esperavam a Selma na Biblioteca Pública Provincial Samora Machel de Pemba, casa da Ludoteca da Helpo. Depois de um apreciado almoço, as flores que nunca murcham, como o Patrono da Biblioteca referia, aproveitaram a tarde em grande, com demonstrações de Teatro, poesia, dança, e com o convidado especial AZ, um famoso cantor de Pemba. A Selma aproveitou o momento para recordar a sua infância e a Helpo aproveitou para relembrar às crianças que os bons exemplos são para seguir, e a Selma Uamusse é claramente um bom exemplo. Uma menina moçambicana que foi para Portugal, tendo ficado a viver sozinha desde tenra idade, mas sempre focada no objetivo a que se tinha proposto. O sonho levou-a além do objetivo e a Engenheira Civil e a Engenheira de Planeamento e Ordenamento do Território deu lugar a uma Cantora! Mas uma cantora que não se limita a cantar e a encantar, pois isso seria pouco para ela. Mas também a espalhar a cultura moçambicana pelo mundo e fazer o que pode para melhorar o seu país, um país cheio de riqueza humana, a mais valiosa e onde se deve investir com mais força, para dar um melhor rumo à Pérola do Índico.

Do teatro encenado pelas crianças ficou a mensagem forte da igualdade de género, cada vez mais percebido pelos jovens. Do discurso da Selma ficaram sementes de esperança em cada uma daquelas 70 cabeças. Da Helpo ficou a certeza de que juntos somos mais fortes e que a vinda da Selma para testemunhar os trabalhos de resposta à emergência dos Ciclones Idai e Kenneth, nos vai fazer mais fortes e mais prontos para ajudar sempre que formos solicitados. Obrigado pela confiança, Selma! Obrigado pela confiança, Portugal!

*Testemunho de Carlos Almeida, coordenador nacional de projetos da Helpo em Moçambique

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