Diário de uma visita IV

Depois de uma partida feita pela LAM – Linhas Aéreas de Moçambique, mas também conhecido por Late And Maybe (Atrasada ou talvez), que decidiu adiar o horário do vôo Pemba – Beira das 10:25 para as 19:25 sem nos avisar, acabámos ficando mais tempo do que previsto em Pemba. A Selma aproveitou a manhã para experimentar uma máscara de Mussiro, ainda por cima pelas mãos experientes da Alima Bacar, natural do Ibo, cara conhecida pelo seu sorriso cativante no Restaurante do Kauri. A equipa da Helpo que se tem desmultiplicado em reuniões do Governo, do INGC – Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, e OCHA – Office of Coordination of Humanitarian Affairs (Gabinete de Coordenação de Assuntos Humanitários), participou numa reunião encabeçada pela UNICEF e a OIM/IOM – Organização Internacional para as Migrações, para saber quais as organizações presentes no terreno na reconstrução de edifícios escolares, das quais apenas estavam presentes a Helpo e a Fundação Nema.

No contexto de emergência, cada reunião é uma aprendizagem em diversos campos: Ter oportunidade de partilhar momentos com pessoas de outros países, alguns a que estamos mais habituados como Espanha, França, Itália, Brasil, Inglaterra, Escócia, Austrália, Estados Unidos, África do Sul, Canadá, mas também de países cujos habitantes se encontram pouco em Moçambique ou Portugal como Dinamarca, Noruega, Afeganistão, Síria, Indonésia, Malásia, Bósnia-Herzegovina, Nicarágua, Honduras, apenas para mencionar algumas, faz desta experiência algo inolvidável.

Na esperança de que o voo da LAM não sofresse novo adiamento, tivemos uma surpresa na sala de embarque, pois a segunda equipa da Força Nacional de Segurança Pública, os Bombeiros Militares do Brasil, que depois de um grande trabalho no Ciclone Idai, vieram para Cabo Delgado para a resposta ao Ciclone Kenneth, estavam de saída e iriam voar connosco. 29 Heróis que já tínhamos encontrado na Ilha do Ibo e agora estavam a regressar a casa. Quando, dentro do avião o Comandante referiu que a Força Nacional estava no avião e agradeceu o seu trabalho, uma forte salva de palmas ecoou em todo o avião. Homenagem merecida por quem tanto fez pelo povo moçambicano.

Com uma breve escala em Nampula, conseguimos chegar à Beira e com o adiantar da hora já não conseguimos fazer o passeio pela Cidade da Beira, cujo nome foi dado em Homenagem ao Príncipe da Beira, título dado ao Príncipe primogénito do herdeiro presuntivo da Coroa de Portugal.

Passámos a noite em Dondo, mesmo à saída da Beira, tantas vezes confundido com Dombe, destino final da nossa viagem. Quis o destino (e a LAM) que tivéssemos que passar uma noite em Dondo, onde fomos muito bem recebidos a altas horas da noite pelo Luís e Raquel da Missão África que nos receberam de braços abertos e com uma refeição simples, mas que nos deixou a todos muito satisfeitos.

Não conseguimos chegar a Dombe, como previsto, mas chegámos ao Dondo e valeu a pena! Mais amigos fizemos e mais enriquecida ficou a nossa viagem. No dia seguinte, 350km de carro separam a Missão África em Dondo da Missão de Dombe, em Sussundenga, onde todos somos um!

*Testemunho de Carlos Almeida, coordenador nacional de projetos da Helpo em Moçambique

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