Chegada ao fim da estrada para o camião de 30 toneladas 01/04/2019

A equipa saiu bem cedo de Caia, com muita estrada pela frente até ao Chimoio onde receberia o camião de 30 toneladas que descarregaria na casa da diocese. Pouco depois do Inchope, a caravana da Helpo alcançou o camião, e assim seria possível cumprir o objetivo de chegar antes da carga, de forma a acompanhar todo o processo de receção.

A viagem foi alimentada a sandes de ovo e marmelada acondicionadas numa rica trouxa desde Nampula. O tempo esteve sempre do nosso lado, sem chuva. A viagem foi feita sem percalços, o que permitiu viajar sempre com a luz do dia. O cansaço foi entrando devagar, sobretudo apoderando-se dos braços de quem conduziu 1000 kms em 2 dias, em estradas ora boas, ora menos acolhedoras.

A equipa estava cansada mas a receção foi calorosa e só isso bastou para alimentar as baterias até ao cair do sol. Em relação ao restante percurso que a carga ainda tem a fazer (130 kms), “Até ao Dombe, só em carrinhas capazes de fazer a estrada de curvas na montanha”, nas palavras do sr. Bispo, D. João Carlos. A sala da diocese estava liberta para servir de armazém provisório, a aguardar a carga que levámos: a um canto as mantas, a outro a comida, a outro os produtos de higiene, e no outro sapatos e roupa… e o camião foi ficando vazio à medida que a sala foi ficando cheia!

Ainda houve tempo para entregar a credencial com a lista do material ao INGC no Chimoio, para conhecer pessoalmente o diretor provincial da Saúde, Dr. Jaqueta, que coordena também o cluster da logística de resposta ao ciclone Idai (à saída da reunião de parceiros que acontece a cada dois dias com o governador), e para dar a conhecer detalhadamente o nosso plano de missão. Por fim, o sr. bispo embrenhou-se em telefonemas para garantir o transporte de parte da carga já amanhã até ao destino final, e marcou-se uma reunião com a responsável pela nutrição para amanhã às 8h, antes da partida para o Dombe, acompanhada pela irmã Talita.

Amanhã será um novo dia!#Idai

 

A equipa parte por terra 31/03/2019

Inês, Florêncio, Margarida, Liliana, Hélia e Asmy são os nomes dos colaboradores da equipa que se fizeram à estrada às 8:30h, com hora marcada para chegar a Caia, onde seria preciso pernoitar. Destes, a Margarida, a Liliana e a Hélia, ficarão de forma permanente no centro de operações, onde trabalharão a partir do Hospital do Dombe a partir do dia 2/04/2019.

Os dois carros que empreenderam esta viagem levam mantimentos para a equipa e para as missionárias, de forma a não representarmos um peso na gestão da casa da missão. O nosso objetivo é aligeirar o peso e de forma nenhuma, acrescentar entropias a um dia-a-dia já de si virado do avesso. Os carros levam também técnicos experientes e motivados. Três moçambicanos e três portugueses com muito trabalho em África na bagagem! A viagem é longa e acompanhada de uma enorme amálgama de emoções. Algumas desconhecidas. Para trás ficam as famílias, preocupadas e expectantes; as agendas com compromissos que não virão a realizar-se, pelo menos nos próximos meses; as comunicações fluidas e o conforto de tudo aquilo que nos rodeia e ao qual podemos chamar de nosso. Mas à nossa frente, à frente desta equipa, está a oportunidade de colocar o seu tempo e os seus conhecimentos ao serviço de quem realmente precisa e de fazer a diferença entre a doença e a saúde, entre a vida e a morte!

A missão começa com a data de partida da equipa, com um planeamento concreto, com um orçamento estipulado e com muitas, muitas interrogações.

Do lado de cá, a ilha do Faial mobiliza-se inteira para a realização das tradicionais Sopas do Espírito Santo. Este ano, de olhos postos na possibilidade de ajudar as vítimas do Idai, as mesas e cadeiras parecem poucas para a quantidade de pessoas que quer pagar bilhete para comer e com isso ajudar, através da Helpo, a população do Dombe.

As ações de solidariedade multiplicam-se e as necessidades no terreno também. O nível das águas baixa calmamente e deixa atrás de si a malária, a cólera, os campos com as colheitas que não chegarão a ser feitas, os corpos enlameados de quem vai deixar de engrossar a lista dos desaparecidos para constar de uma lista mais triste e irremediável.#Idai

1000 kms de ajuda em movimento 30/03/2019

O sábado já acordou comprido, a adivinhar o caminho que as 30 toneladas têm a percorrer até à província de Manica, até às pessoas que justificam os dias a correr e os telefones frenéticos. Acordou a tropeçar na articulação, com a preocupação do INGC de Pemba em demonstrar ao INGC do Chimoio que a carga doada chegara ao seu destino, provavelmente assombrada pelas desconfianças já lançadas sobre esta instituição.

É difícil imaginar uma catástrofe onde há mais de 2 mil pessoas afetadas e um número ainda indeterminado de vítimas mortais; é difícil imaginar um contexto onde 700 km2 ficaram submersos e onde foram varridas casas, escolas, hortas, animais e tudo o que pudesse ser varrido pelas águas; e é difícil imaginar um país onde estão concentradas centenas de grandes, médias e pequenas organizações, umas mais enraízadas que outras, umas mais articuladas que outras, umas mais organizadas que outras, mas todas munidas de boas intenções… Mas é este o contexto que existe. E é nele que desenvolvemos grandes esforços para trabalhar de forma consistente e responsável e sobretudo impactante para os destinatários deste trabalho!

Dia 30 foi também dia de receber sacos de plástico, caixas, itens soltos, envoltos em vontade de ajudar. A sede da Helpo e a delegação de Ermesinde abriram novamente as portas e foram inundadas da genuína boa vontade de pessoas e instituições que nos confiaram as suas expectativas em fazer chegar algum conforto ao centro de Moçambique. Os braços dos voluntários que se inscreveram para dar apoio na logística foram muitos e incansáveis e esta máquina que começa aqui e se prolonga até à bacia do Buzi é parte daquilo que nos faz ter a certeza que tomámos uma decisão acertada em estender os nossos braços até ao Dombe e socorrer milhares de pessoas sem chão!#Idai

 

Carregar de tudo e de esperança 29/03/2019

As 30 toneladas de carga, que há uns dias receávamos não completar, ficaram a acenar ao resto da carga, que ficou em terra! Reunimos comida, muita comida, águas, desinfetante, agasalhos, panelas, talheres, copos, enxadas e catanas, lonas e cordas, na expectativa de responder às necessidades que as irmãs que nos acolherão em sua casa, daqui a poucos dias, identificaram a custo, tendo que escolher que necessidades se sobrepõem a quais, num contexto em que da vida das pessoas, desapareceu rigorosamente tudo.

A irmã Miriam, cuja voz conhecemos desde que as operadoras de comunicação passaram a permitir, falou ontem à rádio. Na sua entrevista dizia que só elas (as irmãs), sabiam de 450 pessoas desaparecidas, provavelmente mortas! A primeira vez que falámos com a madre superiora da congregação, alertou-nos: “imaginem um cenário de guerra: é o que irão encontrar”. Preparámos a equipa, consciente e receosa. Munida de materiais que, após 11 anos em Moçambique, nunca vimos ninguém da equipa usar: empregnantes para a roupa, vacinas contra a cólera, desinfectante para a água… Respiramos fundo e pensamos nas pessoas e no que os conhecimentos da equipa podem evitar, podem resolver, podem salvar. Respiramos fundo porque sabemos que o caminho não é fácil, mas é este.

A estrada para o Dombe foi reaberta. O camião não passará, a logística da resposta ao ciclone Idai não disponibiliza transportes, mas quem está no terreno resolve, e entre contactos trocados com empresas e ideias trocadas com o bispo do Chimoio, D. João Carlos, a solução está encontrada e o problema enterrado. Menos um.

Movidos os esforços para confortar as pessoas no imediato, resta a ansiedade de poder reconstruir o que quer que seja: as pessoas pediram enxadas, pediram catanas; as pessoas não querem sair das escolas para se deslocarem com as tendas que lhes são confiadas para os locais mais altos, como lhes é recomendado. As pessoas não querem assumir que já não têm casa, que não há para onde voltar! Depois da tempestade não vem logo a bonança, como se diz. Depois de uma tempestade como esta, vêm as incontáveis ondas de choque.#Idai

 

Primeiro troço percorrido 28/03/2019

De manhã bem cedo as duas nutricionistas que partiram de Portugal para se juntarem à restante equipa, chegaram ao terreno. A primeira tarefa foi cumprir com a palavra de ordem: articulação! Com poucas horas de estadia em Moçambique, as duas participaram numa reunião de coordenação do Ministério da Saúde; reunião que está a ter lugar todas as quintas-feiras e que começa com um ponto da situação e briefing de toda a informação que todas as organizações que estão no terreno devem conhecer. O dia passado na cidade contrasta com a realidade na qual irão submergir em pouco tempo.

Enquanto isso, o primeiro camião carregado de carga, saiu de Pemba e chegou a Nampula, após os primeiros 400 kms de viagem. Ao cabo deste troço, era necessário fazer o transbordo porque ao camião de 16 toneladas de comida e outro material recolhido, iria somar-se tudo o que coubesse no camião de 30 toneladas que faria a maior parte da viagem: Nampula – Chimoio. O dia reservado para o transbordo é o 28 para respeitar o calendário: dia 29 carrega-se o resto do reboque. São muitos, os braços necessários, mas são muitas as pessoas que não se negam a ajudar!

No coração da tragédia, são já noticiados os primeiros casos de cólera e a corrida contra o tempo agudiza-se! A situação de fragilidade é tal, que ninguém arrisca conjecturas. não há cenários risonhos no horizonte!

dia 28 é o 14º dia após a tragédia. Olhando para trás, vemo-nos a correr o mais rápido que conseguimos, quase sem tempo para recuperar o fôlego, e ainda assim, a nossa trajetória é lenta. A trajetória de todos é demasiado lenta, e esta corrida demasiado desigual. O tempo do vento e das águas que vieram com o Idai, galgarem tudo à sua volta foi, na descrição de alguns sobreviventes, de perto de 4 horas. O perigo destes dias é silencioso, é invisível e é veloz. E as suas consequências são temíveis e difíceis de prever!#Idai

Dia de agradecer, dia de partir 27/03/2019

Dia 27 começou com cara de dia comprido. Começou com um nó na garganta ao saber que alguns dos agentes comunitários das escolas onde a Helpo tem vindo a trabalhar há 11 anos e que são peças fundamentais no nosso trabalho e intervenção e que ganham pouco mais de 100€/mês como professores, chegaram à sede da Helpo em Nampula para contribuir com materiais para a recolha que estávamos a levar a cabo, não querendo deixar de ajudar quem está agora mergulhado em água e desespero. Dia 27 começou assim, a engolir em seco e a aprender com a vida!

Este era o dia da partida da equipa de nutricionistas para o terreno. De Portugal, partiriam duas nutricionistas para se juntarem a outros dois membros da equipa que as aguardavam no terreno para partir com a carga rumo ao Dombe. Mas apenas partiriam juntas se a resposta da Direção Geral de Saúde ao pedido de licença para uma delas, viesse a tempo! Este foi, então, o dia para agradecer o esforço de todos os que permitiram que o nosso tempo andasse mais depressa do que o dos relógios! Agradecer ao gabinete da ministra da saúde, em particular à Dra. Ana Pedroso, ao Dr. Francisco George, e finalmente à Dra. Carlota Vieira, da DGS. Graças ao esforço conjunto de todos, a equipa partiu a tempo de embarcar no voo que a levaria a Moçambique!

Na bagagem, a equipa leva um alto sentido de responsabilidade, um nervoso miudinho e uma enorme capacidade de trabalho aliada à generosidade de quem coloca o seu tempo nas mãos dos outros, porque sabe que esse tempo é, para eles, decisivo.

Dia 27 tive uma confirmação que felizmente chega até mim muitas vezes: trabalho na melhor equipa do mundo, o que foi ficando cada vez mais evidente nos dias que se seguiram!#Idai

 

Articular para racionalizar a ajuda 26/03/2019

A preocupação em angariar os materiais mais necessários quer para prestar uma ajuda imediata, quer para o plano da intervenção dos próximos 6 meses, foi acompanhada desde o início, pela preocupação em fazer chegar os materiais à população, que continuava isolada, banhada pelas águas do rio Lucite e vítima da queda da ponte que ligava a povoação ao resto da província.

Uma vez que a urgência não calava e havia a garantia de capacidade de armazenamento no Chimoio pela diocese em parceria com a Universidade Católica de Moçambique (a pouco menos de 150 kms do Dombe), o plano de operações seria para manter, mesmo que a estrada teimasse em não retomar o seu curso. Em Pemba, fomos contactados pelo ACT que havia recolhido materiais para o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), que assumiu a falta de meios para os fazer chegar ao destino. Decidiram doar o material à Helpo ao tomarem conhecimento da agilização do transporte para o Dombe, e este encheu boa parte do camião de 16 toneladas disponibilizado gratuitamente pela Construsoyo à Helpo, para fazer o transporte até Nampula. Esta articulação com o INGC é fundamental, assim como a articulação com a embaixada portuguesa, em Maputo, e com a plataforma Cyclone Idai response, que procura centralizar a informação acerca da resposta a ser dada por centenas de organizações a quase 2 milhões de pessoas. Dia 26 foi o dia de oficializar esta articulação com o preenchimento do mar de formulários que há para analisar, e com a prestação das devidas informações acerca da ajuda que é prestada a quem, por quem, onde e de que forma. Só esta articulação pode permitir racionalizar os recursos sem duplicar os apoios, bem como responsabilizar os intervenientes por quaisquer ações empreendidas. As boas e as menos boas. A salvaguarda da segurança e dignidade das pessoas, bem como a garantia de que os recursos são aplicados da melhor forma possível e naquilo que é de facto necessário, são preocupações sem tamanho, neste tipo de situação. Esta articulação dá também força às organizações por aumentar o impacto das suas ações através de uma complementaridade que não só faz sentido como é essencial.

O dia 26 foi apenas o início da entrada numa máquina gigantesca, que pode nem sempre funcionar com a agilidade ou eficiência esperadas, mas que é absolutamente fulcral respeitar. E depois deste dia, viriam todos os outros!#Idai

Somar ajudas vindas de todos os lados 25/03/2019

A semana começou com pedidos de vistos, vacinas, pedido de dispensa de funcionário para a missão de emergência à Direção Geral de saúde, pedidos de roupa, repelentes, papas, bolachas, desinfetantes para a água, testes rápidos de malária, enxadas, catanas, cordas, lonas, panelas, caixas, transportes terrestres, viagens…A semana começou como tinha terminado a semana anterior: num turbilhão de pedidos acoplados ao levantamento de necessidades que, à medida que as comunicações ficam mais ágeis, não param de aumentar!

A semana começou com pedidos e com respostas a esses pedidos. Rápidas, ágeis, calorosas, sinceras e generosas. A organização dos armazéns acompanhou o ritmo da chegada do material. Foram estabelecidos pontos de recolha cuja lista não parou de crescer até hoje. Foram estabelecidos dias para a receção do material e foram reservados dois contentores de 40 pés a serem fechados dias 10 e 23 de Abril, respetivamente.

Aaliya Comercial, Atum Ramirez, Associação de Hotéis de Portugal, Bandague, Baixa62, Bigfish, Blue, Blue Kids, Brindouro, Bombeiros de Almada, BWS, Câmara Municipal de Cascais, Câmara Municipal do Seixal, Centro Scalabrini, Central de Cervejas, Chicco, Construsoyo, Corpo Nacional de Escutas, CTA – Confederação das associações empresariais – Pemba, Direção Geral de Reinserção Social e Serviços Prisionais, Farmácia Calêndula de Nampula, For Mozambique, Fundação Galp, Grandvision, Grupo Auchan, Grupo JFS, Infante Santo, Intermarchè, J. Walter Thompson, Missionários de São João Baptista, Knot, Mó, Nestlè, Pinha Mansa confecções, Polar, Quilaban, Rota Jovem, Sutter, Tmcel, União de freguesias de Coimbra, Unilever, Zippy… a lista daqueles que responderam de forma positiva a este apelo é interminável e continua. Espalha-se por particulares, escolas; espalha-se no espaço e no tempo. Espalha-se e é tão necessário quer se espalhe o bastante para que se estenda até longe. Até onde não chegam as tv mas há pessoas com histórias para contar, vidas para reconstruir, doenças para evitar e uma catástrofe imensa para, se não esquecer, ultrapassar!

O dia 25 foi assim, assim como os anteriores e os seguintes: com apelos e respostas como pano de fundo de todas as outras tarefas!#Idai

 

Todos os dias são dias 23/03/2019

Nas notícias continuamos a ver coisas que gostaríamos de não ver. Confesso que fechei muitas das janelas do telemóvel antes que os vídeos que me enviavam chegassem ao fim. Os fins-de-semana servem para pouco mais que aumentar o sentimento de impotência, e a evidência do desfasamento que existe entre o possível e o absolutamente necessário. Já.

Na tentativa de ludibriar o calendário, procurámos converter o sábado e o domingo em dias iguais aos outros. A sede da Helpo abriu portas aos donativos que foram chegando, diligentemente, e preenchendo as horas dos voluntários e os caixotes de cartão.

No centro de Moçambique, todos os dias são dias de fome, de urgência, de falta de tudo e de qualquer coisa. A 23 e 24 de Março, dedicámos o tempo lento aos e-mails e telefonemas de articulação com quem, por estes dias, não descansa. Estabelecemos contacto com o departamento de nutrição de Manica, dando conhecimento do nosso plano de missão, para articulação com as demais ações que decorrem e ainda decorrerão no terreno; repetimos esta ação com a coordenação do cluster da nutrição, setor no qual incide a nossa missão.

Os telefones precisam de ser carregados duas e três vezes por dia, desabituados que estão de não terem qualquer minuto de descanso, vendo umas chamadas tropeçar nas outras até ao silêncio absoluto ditado pelo cansaço da bateria.

De noite, o sono demora a ganhar a guerra à catadupa de pensamentos e sensações colados aos nossos dias, à nossa pele. Um dia de cada vez, uma noite de cada vez, também nós vamos conseguindo carregar a bateria, até ao dia seguinte.#Idai

O que já existe vem a público 22/03/2019

Depois de identificada a chefe de missão, a nutricionista Margarida Lopes, coordenadora dos projetos de nutrição da ONG Helpo (com experiência de trabalho em São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique), os seus esforços concentraram-se na identificação de materiais de trabalho que seriam úteis nos próximos 6 meses de intervenção. O ponto de partida era a descrição das irmãs com quem íamos conseguindo falar, a espaços, e apenas via whatsaap, por vezes apenas através da gravação e envio de mensagens áudio.

Em Moçambique, as equipas radicadas em Cabo Delgado e Nampula começaram a receber ofertas: apoio em materiais, apoio em serviços de empresas que não queriam, não podiam deixar de ajudar. Quando se vive num contexto lado a lado com a pobreza e se vê perto de 2 milhões de pessoas serem violentamente sacudidas na sua fragilidade, é impossível ficar indiferente. A rota aleatória do ciclone poderia ter escolhido passar mais a norte, poderia ter sido bruscamente desviada para o sul, e nesse caso, aquele cenário, poderia ter varrido a casa a qualquer um de nós!

Decidimos de imediato agir em duas frentes: levámos a cabo uma recolha de fundos e de materiais em Portugal, que sustentassem a missão de emergência com o foco da nutrição materno-infantil nos próximos 6 meses; e iniciámos uma recolha de bens de primeira necessidade identificados como urgentes pelas missionárias que nos acolheriam dias depois, e que seriam enviados para o Dombe pelas empresas Construsoyo (oferta do transporte de 16 toneladas de carga entre Pemba e Nampula) e Polar (oferta do transporte de 30 toneladas de carga entre Nampula e Chimoio) e que partiriam para o destino ainda durante o mês de Março.

Afinal o nó na garganta não conhece fronteiras. Em qualquer país do mundo é duro assistir ao sofrimento alheio e é duro vê-lo num expoente tão exagerado, numa luta de David e Golias, e às vezes em direto através da TV!

Dia 22 de março, estávamos já prontos para falar com bastante detalhe (aquele que uma boa dose de imprevistos possa permitir), do que estávamos a fazer, do que estamos a fazer, e do que iremos fazer. O coordenador nacional da Helpo em Moçambique falou da missão de emergência na rtp3 e rtp2. O que já sabíamos dentro de portas há alguns dias, veio a público.#Idai